21 de março de 2004

As novas placas toponímicas do Porto

Um presidente de câmara, oito vereadores, dez arquitectos, 23 engenheiros, 17 terceiros oficiais, 34 carpinteiros, 7 motoristas e 56 ajudantes. Sete assembleias municipais, 18 plenários da vereação, 71 reuniões importantes com almoço de trabalho incluído e intervalo para café com biscoitos. Duas dúzias de berbequins eléctricos com percurssão, 48 brocas para pedra, 18 escadotes e 10 grozas de pregos de aço.

O lançamento de uma primeira pregadela do presidente da câmara, ele próprio, ao meio dia em ponto quando os pobres apontam à porta da sopa da Ordem da Trindade. Cautelosa por causa dos dedos e das unhas, na Rua da dita, da Trindade. Três televisões, incluindo as de Gaia, terreno minado e inimigo, sete emissoras de rádio, 3 jornais diários, 27 jornais regionais, duas centenas de convidados. Beberete, lanche rico de casa pobre, com biscoitos de sortido húngaro e refrigerantes sem gás. Arrumadores de rua reconvertidos de toxicodependentes em alcoólicos. Automóveis de gama alta estacionados nas traseiras, adquiridos em regime de locação que quer dizer "leasing", a gente não tinha dinheiro para tal dignidade.

Notificados os presidentes das juntas e dos clubes de futebol que compareceram todos, acompanhados dos vogais. O respeito é muito bonito, o partido é um patrão inteiro quando manda, o beberete é uma tentação. Ai os diabetes, amanhã vai ser fortalecida a dose matinal de insulina, se Deus quiser há-de voltar tudo ao normal.

O Porto, pronto. Ganhou placas toponímicas novas, de aplicação fácil como a abertura das latas de atum. Até presidente de câmara é capaz de fingir que prega uma, a primeira, a predilecta, subido numa grua como concorrente do um contra todos, o Malato no chão a fazer as perguntas, o computador pum, a dar as respostas. São muitas, todas com letras brancas sobre fundo verde escuro. Daqui a trinta anos serão uma das marcas da cidade, como a torre dos Clérigos ou a ponte de Luiz I, o presidente é modesto graças a Deus, usa gravatas compradas numa loja de chineses. Faltou-lhe referir o Jorge Costa e o Vítor Baía que na altura já terõao arrumado as chuteiras, mesmo que o Jorge Nuno seja ainda presidente. No cumprimento do 43º mandato, com maioria ou sem ela, ele é que manda e pronto, o José Mourinho já por essa altura deve ter chegado a seleccionador do Quatar.

Agora falta só levar ao outro lado da rua mais um contínuo, mesmo dos antigos, se ainda houver, com a quarta classe das escolas da Trindade. Para ele tentar ler o nome e dizer: façam as letras maiores porra, que assim ninguém lê nada. Tanto faz é para os analfabetos! E a cor, nem o filho do major gosta, ainda se fossem cor de rosa como a pantera. Agora verde! Ah, são as cores do Rio Ave, tinhas comprado o árbitro, adivinhaste o resultado. Não precisavas era de gastar tanto dinheiro, um a zero chegava, ficavas com algum para aumentar o tamanho das placas e das letras. Então não era ó pascácio?

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